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01/03/2018

Inaugurada Galeria de Ex-Chefes da Casa Militar

A solenidade de inauguração da galeria foi nessa terça-feira (27), no Palácio Iguaçu, onde a Casa Militar do Paraná está instalada desde 1954, ano em que o Palácio do Governo passou a ocupar a nova sede, no Centro Cívico, em Curitiba. O evento reuniu seus ex-chefes, familiares e amigos, autoridades civis e militares, oficiais, praças e civis que integram a Casa Militar, e o atual chefe, coronel Élio de Oliveira Manoel, no cargo desde junho do ano passado.

 

O secretário-chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, representou o governador Beto Richa e agradeceu a todos pelo trabalho realizado ao longo da história do Paraná, em especial a Casa Militar. “Cumprimento a atitude do coronel Élio de valorizar a memória de quem ajudou a escrever a história do Paraná”.

 

O coronel Élio contou que a ideia de montar a galeria surgiu em uma conversa com o coronel da reserva da Polícia Militar, Iranil dos Santos, que trabalhou na Casa Militar por 22 anos consecutivos, e é filho do ex-chefe da Casa Militar, o coronel Arivonil Fernandes dos Santos, que ocupou o cargo de março a dezembro de 1971, no governo de Haroldo Leon Peres. Ele ajudou a reunir fotos e desenhos de todos que já ocuparam a chefia da Casa Militar. Outro filho do coronel Arivonil, o também coronel da reserva da Polícia Militar, Itamar dos Santos, trabalhou por oito anos na Casa Militar. Os irmãos disseram que o pai era um oficial bastante rigoroso, e que fez muito pelo Paraná. “Aproveitando-se da amizade que tinha com o governador, ele conseguiu implantar a Divisão de Segurança da Casa Militar, setor que existe até hoje e é um dos carros-chefes da governadoria, junto com a Defesa Civil”.

 

O resgate da história da Casa Militar por meio das fotografias dos ex-chefes demandou muito trabalho e um cuidado especial. A missão de criar o painel para montar a galeria foi entregue à arquiteta Kayza Priori Bagatin, que atua na Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec). O projeto aprovado deixou as 25 imagens dos coronéis que já ocuparam o posto de chefe da Casa Militar, sem molduras, em preto e branco, fixadas na madeira branca coberta por vidros e iluminação diferenciada. “Pensei em algo bem claro para valorizar as figuras. A disposição das fotografias segue uma ordem cronológica”.

 

A primeira delas é a do coronel Euclides Silveira do Vale, que foi o primeiro chefe da Casa Militar, sendo nomeado quando ainda era major de Polícia Militar do Paraná, em 25 de fevereiro de 1928.

 

Em 1951, por convocação do então governador do Estado, Bento Munhoz da Rocha Netto, retornou ao serviço ativo para assumir pela segunda vez a chefia da Casa Militar, permanecendo nesta função até o ano de 1956.

 

Duas netas do coronel Euclides, não só prestigiaram a homenagem no Palácio Iguaçu, como também homenagearam o coronel Élio entregando a ele, a pasta de trabalho do avô. Com 74 anos, dona Nely do Vale, descreveu o coronel Euclides do Vale como um homem íntegro, honesto e verdadeiro, que se mantinha sempre “empertigado, e dedicado à família e aos animais. Essa homenagem aquece os nossos corações”, disse com emoção.

 

HISTÓRIA - Instalada no quarto andar do Palácio Iguaçu, a Casa Militar do Paraná passou a ser uma Secretaria de Estado em 1987, como resultado de uma reforma administrativa.

 

Mas antes de receber a denominação de Casa Militar, em 29 de fevereiro de 1928, a assistência militar aos governos era feita por ajudantes de ordens do Exército.  

 

De lá para cá, houve uma transformação muito grande nas missões da Casa Militar, que sempre foi a responsável pela segurança de autoridades, principalmente do governador e de sua família. “Essas atividades se mantém até hoje, mas passamos a focar também no atendimento à população; no apoio às pessoas que mais precisam, especialmente nos momentos de desastres naturais”, afirmou o coronel Élio.

 

Foi por essa mudança de postura, que surgiu a necessidade de se promover uma reestruturação na Divisão de Proteção e Defesa Civil, dentro da Casa Militar que, ainda segundo o coronel Élio, recebeu vultosos investimentos nos últimos sete anos, “e que resultaram em 15 regionais da Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil (CEPDEC), e no Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (CEPED), que está em pleno funcionamento integrado à Universidade Estadual do Paraná (Unespar)”.

 

De acordo ainda com o coronel, o atual governo implantou o resgate aéreo através do SAS (Sistema de Assistência à Saúde do Estado do Paraná), e o Fundo Estadual de Saúde para fazer a remoção de pessoas em situação crítica e que necessitam de um atendimento de urgência ou de emergência. O setor de transporte aéreo, sob a responsabilidade da Casa Militar, tem a missão de fazer o transporte de equipes médicas ou de órgãos para transplante. “O Paraná, em números proporcionais à população, é o primeiro estado em órgãos transplantados no Brasil. Até então, ocupava o 14º lugar”.

 

Em 2017, foram 114 missões feitas com as aeronaves do Governo do Estado para a Central de Transplantes. Para o atual chefe da Casa Militar, “esse é o grande legado que essa geração vai deixar para o futuro: uma Casa Militar cidadã”. 

 

EX-CHEFES DA CASA MILITAR - O coronel Aristides Garret do Prado, que atuou como chefe da Casa Militar de 1983 a 1987, contou que ficou muito feliz em rever os amigos durante a solenidade de inauguração da galeria. E que trabalhou muito em favor da Polícia Militar do Paraná. José Richa era o governador nessa época. “Ele trabalhava muito, arregaçava as mangas, e não tinha tempo ruim para o governador. Quando eu precisava falar alguma coisa urgente para ele, não entrava pela porta da frente do seu gabinete. Tinha a liberdade de entrar pelos fundos da sala que ele ocupava”, relembra.

 

Ana Beatriz Prado, filha do coronel Aristides, se diz muito orgulhosa do pai, “afinal, ele ajudou a escrever a história do Paraná”.

 

O coronel Washington Alves da Rosa foi chefe da Casa Militar por três anos, mas trabalhou no setor durante 11 anos. “A função é gratificante porque na Defesa Civil podemos realizar um bom trabalho de prevenção junto aos municípios”. Ele também parabenizou o coronel Élio pelo resgate histórico.

 

De 1979 a 1983, quem ocupou a chefia da Casa Militar do Paraná foi o coronel Antônio Celso Mendes, durante o segundo mandato do governador Ney Braga. Ele contou que foi professor do coronel Élio de Oliveira Manoel, e que já na Escola Superior da Polícia Militar, já demonstrava espírito de liderança e capacidade de trabalho. “Vim de Londrina para ser o chefe do Estado Maior da PM, quando fui convidado para ser chefe da Casa Militar”.

 

Outro homenageado com a inauguração da galeria dos ex-chefes da Casa Militar, o coronel Ralph Sabino dos Santos, conta que ocupou a chefia em seis governos. O primeiro foi em 1963. Ficou na Casa Militar por 11 anos. Ele e sua equipe eram responsáveis pelas viagens dos governadores, pela programação de segurança, incluindo os locais das visitas. Verificavam até se o palanque onde seriam feitos os discursos, estavam seguros. Dentre as muitas histórias das quais ele se recorda, uma delas jamais vai esquecer.

 

O coronel disse que as pessoas que trabalham na Casa Militar não têm o direito de errar, já que, “quando erram, o erro repercute diretamente no governador”. Mas ele contou que não conseguiu evitar um erro que poderia ter sido fatal. “Numa viagem de avião do governo do Paraná a Cascavel, com Jaime Canet Júnior, Ney Braga e alguns deputados da região a bordo, o piloto me chamou quando já estávamos no meio do percurso, para me dizer que precisaria 'cortar o motor' e retornar a Curitiba. Concordei, pois não havia outra coisa a ser feita”. Um piloto da Casa Militar, com mais de 20 anos de experiência, havia esquecido de fechar o tanque de óleo do avião. De volta ao aeroporto do Bacacheri, o coronel conta que, assim que recolocaram o óleo que havia vazado do tanque, voltaram a Cascavel.


por Sara Carvalho, Assessoria de Comunicação Ceped/PR

 

Fotos da inauguração tiradas por Fabiele Silveira (Casa Militar)

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