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02/03/2018

CEPED/PR participa do V Seminário Internacional – Gestão do Risco de Desastres, em Belo Horizonte (MG)

O Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (CEPED/PR) foi representado no V Seminário Internacional – Gestão do Risco de Desastres, realizado nos dias 21 e 22, em Belo Horizonte (MG), pelo major BM Eduardo Gomes Pinheiro, diretor do CEPED/PR. Na palestra que fez no segundo dia do seminário no auditório JK, na Cidade Administrativa da capital mineira, o major Pinheiro falou que, para mostrar a importância das potencialidades de um centro universitário que estuda e pesquisa os desastres, é preciso primeiro, refletir sobre o cenário da Proteção e Defesa Civil no Brasil. “Hoje, temos uma legislação, uma política pública e outras leis que apoiam o sistema, temos uma doutrina, e uma série de questões que são importantes e úteis para que a Defesa Civil possa realizar a gestão integrada do risco de desastre, mas não temos muita aplicação disso”, analisa Pinheiro.

 

O major disse ainda, que muitos se queixam, ficam um pouco desanimados, falam que esperam por alguém que as capacite e que não conseguem fazer tudo porque têm que se dividir entre duas ou mais funções. “A Defesa Civil e essas ações de gestão de risco vão ficando em segundo plano, principalmente antes do desastre acontecer, porque depois é inevitável a mobilização como consequência do próprio evento. E com isso, deixamos passar as oportunidades de reduzir desastres”.

 

Pinheiro fez uma análise sobre o que se deveria aprender com os desastres. “Na verdade, nós, gestores, não aprendemos com os desastres porque não estudamos os dados, não os coletamos de forma adequada porque a gestão do sistema de Proteção e Defesa Civil não está integrada com a necessidade da comunidade acadêmica para vermos quais são os dados que devemos obter depois que acontece um desastre”.

 

Ele disse ainda que “Ouvimos muitas queixas, mas vemos pouca transformação da realidade. E essa transformação, muitas vezes, se apoia na desculpa de que não há recursos. Mas não haverá recursos se não tivermos uma organização e uma aplicação daquilo que está previsto nas ações de proteção e defesa civil”.  Pinheiro afirma que para realizar a maior parte delas, não depende de recursos, e sim, de vontade e conhecimento. E que o Brasil carece de novas lideranças nessa área de riscos de desastres e da recuperação das mais antigas que estão um pouco acomodadas em alguns aspectos. “Nós como gestores, temos muito a fazer”.

 

Na palestra “As potencialidades do CEPED/PR para contribuir com as ações de preparação, resposta a desastres e resiliência”, o diretor do órgão vinculado à Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil do Paraná, destacou que a integração que o CEPED/PR mantém com centros de pesquisas das universidades paranaenses, “é algo que pode proporcionar respostas a muitos questionamentos dos quais hoje nós dependemos para que um alerta de desastre possa chegar à população de forma adequada”.  E cita um exemplo. “Recebemos um alerta de que vai chover bastante, mas o que nós precisamos saber é o quanto vai chover e qual é o reflexo dessa intensidade de chuva na vida das pessoas que estão expostas à situação de risco”. Segundo Pinheiro, hoje as pessoas não sabem das consequências de uma chuva intensa; a maioria delas não têm ideia que corre riscos porque a informação não chega com qualidade. “Se bem que o alerta ter sido enviado já é positivo. Então, nós gestores, temos que buscar o aprimoramento para darmos sustentação à interação entre a população e o poder público”.


O encontro em Belo Horizonte (MG) reuniu agentes de vários setores envolvidos no abrangente trabalho de Proteção e Defesa Civil. Durante o evento, um público de 400 pessoas, assimilou o conhecimento de figuras importantes do cenário nacional e internacional e das novas técnicas implantadas em cidades que já vivenciaram muitas catástrofes ou que trabalharam num planejamento estratégico que as tornaram resilientes.

 

Durante o seminário, o major Eduardo Pinheiro, além de trocar experiências e conhecimento, também ouviu críticas à condução do sistema. “Tem havido muitas mudanças na gestão federal o que reduz o tempo para fazer o que precisa ser feito de maneira crescente e ininterrupta”. Ele disse ainda que, com a falta de um planejamento nacional, de um diagnóstico e de prioridades, “ficamos sem saber o que pedir para as universidades, e o que colocar à disposição como necessidade para que elas possam se organizar com ou sem o apoio do poder público”.

 

Sobre o que trouxe de aprendizado e experiência do evento, o major Eduardo Pinheiro destaca a organização e o interesse do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, e das Coordenadorias de Proteção e Defesa Civil dos municípios mineiros que participaram do V Seminário Internacional – Gestão do Risco de Desastres. “Havia muitas pessoas querendo trocar informações, e isso é o mais importante porque precisamos dessa vontade e ela serve de exemplo para nós. Que outros Corpos de Bombeiros possam também ter esse tipo de iniciativa”.

  

O evento reuniu também o representante da campanha “Cidades Resilientes”, das Nações Unidas, Sidnei Furtado, e o representante da Secretaria Nacional de Defesa Civil, Armim Braun. “Conhecer as experiências do Japão e da Inglaterra, por exemplo, também foi muito interessante para compararmos como esse tema é tratado em outros lugares”, finalizou major Pinheiro.



Sara Carvalho, Assessoria de Comunicação CEPED/PR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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