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Notícias

09/03/2018

Pesquisas realizadas por bolsistas do CEPED/PR vão ser apresentadas no II Seminário Internacional de Proteção e Defesa Civil, em Florianópolis/SC.

O projeto ‘Inventário da Produção Científica sobre Riscos e Desastres entre as instituições da Redesastre’ começou a ser executado pelas biólogas e bolsistas do Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (CEPED/PR), Gislaine Cova e Nayla Karoliny Schimure, em fevereiro de 2017. Elas teriam que realizar um levantamento das produções científicas que abordam riscos e o tema desastres em teses, dissertações, monografias de especialização e trabalhos de conclusão de curso já publicados pelas instituições que integram a Redesastre. O prazo para a finalização do projeto é agosto deste ano, mas o resultado parcial da pesquisa já vai ser apresentado no II Seminário Internacional de Proteção e Defesa Civil que será realizado nos dias 13 e 14 de março, na capital de Santa Catarina.

 

A coordenação do projeto é do professor Carlos Alexandre Molena Fernandes, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), em parceria com o CEPED/PR. Outras 13 propostas foram selecionadas e aprovadas pelo Centro Universitário, e são desenvolvidas pelas cooperadas da Redesastre, com recursos da Sanepar.

 

“Quando começamos o projeto, a Redesastre era formada por 15 instituições públicas e privadas. Até agora, pesquisamos o acervo de 11 universidades do Paraná, onde encontramos 1.236 obras que abordam desastres”, relata a pesquisadora do projeto, a Msc Gislaine Cova. Hoje, a Redesastre conta com a cooperação de 25 instituições de ensino superior e de pesquisa.

 

Em novembro do ano passado, o bacharel em Geografia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e bolsista do CEPED/PR, Murilo Noli da Fonseca, passou a ocupar a vaga deixada por Nayla, que seguiu em outros projetos.  Ele explica que, no início, as buscas pelas publicações são feitas on line. Caso alguma informação não esteja presente no acervo digitalizado da instituição pesquisada, os bolsistas vão até o local para realizar a busca. 

 

O primeiro trabalho publicado no estado sobre esse tema foi em 1943, na Universidade Federal do Paraná (UFPR).  “Encontramos o cadastro da publicação on line, mas a obra física, só lá mesmo”, conta Murilo.

 

Até agora, das produções científicas analisadas pelos bolsistas Murilo e Gislaine, 52% abordam os desastres naturais. Entre as universidades, a UFPR, se destaca em relação ao número de trabalho, chegando perto dos 41%. A grande maioria das produções trata da Gestão de Risco (89%), em contraponto ao Gerenciamento do Desastre (10%). Outro dado apontado, é que o número de publicações sobre o tema desastres começou a aumentar a partir dos anos 1990.

 

CODIFICAÇÕES BRASILEIRAS - Os bolsistas iniciam a pesquisa por meio de um conjunto de palavras-chave que estão de acordo com a Codificação Brasileira de Desastres (COBRADE) e a Codificação de Desastres, Ameaças e Riscos (CODAR), ambas elaboradas pelo Ministério da Integração Nacional. “Essas codificações servem para que haja uma classificação dos desastres, que podem ser naturais do tipo geológicos, hidrológicos, meteorológicos, climatológicos, biológicos, e ainda os tecnológicos e os sociais”, esclarece a bióloga Fernanda Enko, também bolsista do CEPED/PR.


O projeto da Fernanda também é um inventário, e sobre o mesmo tema; a diferença é que ela busca as produções científicas que abordam riscos e desastres na Capes, plataforma do governo federal que oferece acesso aos textos completos de artigos selecionados em mais de 21.500 revistas internacionais, nacionais e estrangeiras. O financiamento desse projeto é da Fundação Araucária que, assim como o CEPED/PR, também lançou um edital para receber propostas de instituições de Ensino Superior. Esse banco de dados que está sendo montado pela bióloga, é apenas um componente do projeto “Determinação dos índices pluviométricos críticos para a ocorrência de movimentos gravitacionais de massa na região sul sudoeste do Estado do Paraná”, que tem como instituições executoras a Unespar, o Simepar, o Instituto de Terras, Cartografia e Geologia do Paraná (ITCG), o CEPED/PR e a Coordenadoria Estadual e Proteção e Defesa Civil do Paraná (CEPDEC). A entrega deve ser feita até fevereiro de 2019.

 

De acordo com a Fernanda, ela já conseguiu encontrar 556 artigos sobre o tema desastres. O primeiro foi publicado em 1970, e o ponto alto das publicações foi em 2012, provavelmente pelo evento ocorrido no litoral do estado, quando chuvas intensas causaram muitos prejuízos, em março de 2011. “A maioria dos artigos são da área Ciência da Saúde (29%), o que faz sentido já que as pessoas se preocupam em primeiro lugar com a saúde da população, e depois, com o prejuízo social”, analisa a bióloga.

 

As informações encontradas no trabalho de buscas estão sendo organizadas em planilhas onde há o título e o ano da publicação, o nome do autor, o tipo de desastre, as palavras-chave que o autor usou no trabalho, e onde foi publicada. No seminário, vão ser expostas em banners e painéis.

 

O levantamento parcial aponta ainda, que o maior número de publicações sobre o tema foi da Revista Ambiência, publicada pela Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro). E a UFPR, foi a universidade que mais divulgou o assunto, com 183 artigos. O tipo de desastre mais abordado foram os biológicos (ex., as epidemias), com 322 publicações.

 

REDESASTRE - Outro componente do projeto Inventário da Produção Científica sobre Riscos e Desastres é o desenvolvimento do portal da Redesastre, uma plataforma virtual para a divulgação de todo o conteúdo levantado pelos bolsistas. “Não existe no Brasil uma biblioteca temática com as produções científicas que abordam riscos e tipos de desastres e já publicadas no Paraná. Seremos pioneiros”, afirma Fernanda.

 

O banco de dados do portal vai entrar no ar com o nome “redesastre-net”. A bióloga explica que se alguém quiser pesquisar vendaval, por exemplo, vai encontrar no portal tudo que já foi publicado sobre o tema no Paraná.  “Qualquer pessoa vai poder pesquisar o que é possível fazer diante de um vendaval, mas pensando na prevenção e não na resposta depois que acontece o evento”, diz a bolsista da Fundação Araucária, e que desenvolve o projeto no CEPED/PR.

 

Toda a comunidade vai ter acesso ao banco de dados dessas pesquisas bibliográficas publicadas no portal. Os coordenadores das instituições serão responsáveis pela atualização. “A ideia é compartilhar todo o conhecimento com a sociedade. E descobrir tudo que foi pesquisado no Paraná para que não se tenha uma pesquisa redundante, que não se gaste dinheiro e tempo de novo com o que já foi realizado”, disse a diretora acadêmica do CEPED/PR, Danyelle Stringari.

 

Segundo Stringari, a importância do banco de dados é poder unir a necessidade do estado, com todo o conhecimento científico que está sendo produzido dentro das universidades.  “Muitas vezes, a Defesa Civil está com dificuldades diante de alguma situação, ou há uma área de risco que precisa de um auxílio, ao mesmo tempo que tem pessoas numa universidade pesquisando exatamente aquela área. Com o banco de dados do portal, ficará mais fácil  fazer a pesquisa aplicada e não aquela pesquisa de bancada”.

 

“Espera-se com a realização do projeto a criação de um ambiente de compartilhamento entre as universidades, pesquisadores e sociedade em geral que possibilite o armazenamento do conhecimento científico e a troca de informações acerca do tema”, disse Gislaine Cova.

 

PREPARAÇÃO DE DESASTRE NAS CIDADES - O projeto que a geóloga e mestranda no programa de pós-graduação em desastres naturais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e também bolsista do CEPED/PR, Fabiane Acordes, vai divulgar no seminário em Florianópolis, é financiado pela Sanepar. Ela aplicou o Indicador de Preparação de Desastre nas Cidades (IPDC), desenvolvido a partir de pesquisa bibliográfica, junto ao projeto “Estruturação de Indicador de preparação para desastres nas cidades”, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR), no município de Cerro Azul, na região metropolitana de Curitiba. A aplicação desse indicador faz parte da etapa de preparação na gestão de risco de desastres e que envolve um conjunto complexo de ações que deve ser definido, medido e avaliado em consonância com as instituições responsáveis, suas competências e prioridades. Das 11 variáveis avaliadas, apenas 39% dos aspectos considerados no indicador foram alcançados pelo município.

 

Outro projeto que o CEPED/PR vai expor no evento em Florianópolis/SC é resultado de um questionário respondido por 11 brigadistas voluntários do projeto de atendimento da fauna em caso de desastres na área do Complexo Estuarino de Paranaguá (CEP), no litoral do Paraná. As perguntas e a execução do projeto são da médica veterinária e pesquisadora bolsista do CEPED/PR, Letícia Koproski, com a participação dos auxiliares técnicos bolsistas, Leonardo Duda e Camila Souza dos Santos, sob a orientação do diretor do CEPED/PR, major Eduardo Pinheiro, e da diretora acadêmica do Centro Universitário, Danyelle Stringari. Durante 22 dias, eles divulgaram o projeto nas areias da Praia Brava, no balneário de Caiobá, em Matinhos. Encerradas as atividades, os voluntários responderam questões sobre a percepção da população em relação a desastres, voluntariado, resgate de fauna e proteção do litoral do Paraná.

 

Na Operação Verão 2017/2018, coordenada todo ano pela Casa Militar do Paraná, a pesquisadora Letícia, junto com bolsistas e brigadistas, abordaram cerca de 5.000 pessoas. Além de receberem material informativo e brindes como squeeze, lixocar e ecobags, elas viram uma exposição fotográfica com imagens da fauna local, painéis acadêmicos, e tiraram fotos postadas nas redes sociais do projeto.

 

A maioria da comunidade se manifestou favorável à existência de uma brigada formada por voluntários para atuar em desastre, porém, somente 25% demonstrou interesse em participar de forma direta nesse tipo de ocorrência. A grande preferência declarou o seu apoio ao projeto por meio de redes sociais. Um pouco mais de 75% dos veranistas, relaciona os desastres aos derrames de óleo. E ao mesmo tempo em que a maioria não percebe a ligação entre a atividade portuária e seu impacto sobre o ecossistema de praias, expressou ter empatia pelo resgate de fauna em desastres. 

 

PARCERIAS PARA REDUÇÃO DE RISCO DE DESASTRE - A importância de se estabelecer parcerias para produzir conhecimento na área de redução de risco de desastre (RRD) é o tema do trabalho dos bolsistas Thiago Kelly e Giovanna Altheia Cansini, sob a coordenação da profª Dra Vanisse Alves Corrêa. A apresentação desse trabalho em Florianópolis será oral. 

  

Desde que foi criado, em 2013, o CEPED/PR tem buscado parcerias para somar esforços e fomentar a pesquisa voltada à RRD. A parceria que tem com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), a Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Estadual do Paraná (Funespar), possibilitou o aporte de recursos financeiros para apoiar projetos de pesquisa e capacitação voltados à área da Redução de Risco de Desastre (RRB). 

 

Ao participar de um evento internacional, pesquisadores e bolsistas fazem contatos, compartilham os resultados das pesquisas, e tomam conhecimento do que está sendo pesquisado no Brasil e em outros países. “Essa troca de informações é fundamental para o crescimento do pesquisador. Na verdade, a pesquisa é isso; é tentar trazer resultados de outras pesquisas que possam ser aplicados na sociedade, ou na sua realidade”, explica Danyelle Stringari. “Os trabalhos que vão ser apresentados no seminário representam a Redesastre, a primeira rede voltada à redução do risco de desastre, e a única criada por um decreto estadual, e também a única que congrega instituições de pesquisa do Paraná nesta temática”.

  

O SEMINÁRIO - A Secretaria da Defesa Civil de Santa Catarina vai discutir a importância das Políticas Públicas na Redução de Riscos e Desastres no II Seminário Internacional de Proteção e Defesa Civil, agendando para os dias 13 e 14 de março, em Florianópolis/SC. O evento vai marcar também os 10 anos do maior desastre ambiental do estado, as inundações de 2008, quando morreram 135 pessoas, e milhares ficaram desabrigados. O seminário será usado também para salientar o que foi realizado nesse período para aumentar a resiliência do povo catarinense.

  

INFORMAÇÕES GERAIS DO EVENTO:

Data: 13 e 14 de março de 2018

LOCAL: Centro de Eventos Governador Luiz Henrique da Silveira, Rodovia SC-401, Km 01, S/n – Trevo de Canasvieiras, Florianópolis/SC

INSCRIÇÕES: Gratuitas

pelo site do evento: www.sipdc2018.com.br ou no site de divulgação do evento: https://www.sympla.com.br/ii-seminario-internacional-de-protecao-e-defesa-civil__228058

 

Sara Carvalho, Assessoria de Comunicação CEPED /PR

 

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