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27/03/2018

Prefeito de Campo Largo autoriza criação de Subsecretaria da Cidade Resiliente

Os integrantes do recém-criado Comitê Municipal de Resiliência, de Campo Largo, a cerca de 30 km de Curitiba, se reuniram pela primeira vez nessa sexta-feira (23), na prefeitura da cidade. A criação do grupo, formado por representantes de várias secretarias municipais e instituições públicas do município, é mais uma etapa do processo para tornar resiliente uma cidade da Região Metropolitana de Curitiba. Campo Largo é o único município do Paraná indicado a participar da etapa continental da campanha das Nações Unidas “Construindo Cidades Resilientes”, lançada em 2010.

 

A reunião de trabalho foi aberta pelo prefeito Marcelo Puppi (DEM), que destacou alguns números que justificam o interesse do município em se tornar resiliente. Segundo ele, entre 1980 e 2018, houve um total de 81 ocorrências provocadas por eventos climáticos. Mais de 200 mil pessoas foram afetadas. Seis delas morreram. “Desde o final de novembro de 2017, não passam 30 horas sem chover em Campo Largo. Quando não são os moradores de Bateias que sofrem as consequências, são os de Ferraria, e depois, os que moram na Vila Santa Ângela. Não podemos mais só ficar na torcida para que os temporais não provoquem tantos estragos”. O prefeito afirmou que é preciso criar uma estrutura que ampare o município nessas situações e anunciou a criação por decreto da Subsecretaria da Cidade Resiliente que vai operacionalizar as ações de integração da campanha no município. “A partir dela, vamos ter que movimentar escolas, crianças, operários, empresas e associações de moradores para que a cidade resiliente seja na verdade, o resultado da união do povo, tornando-se assim, um grande exemplo para o Brasil e para o mundo”.

 

O diretor do Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres CEPED/PR, major Eduardo Pinheiro, destacou a importância da formalização do grupo e do trabalho que deve ser desenvolvido daqui em diante. A próxima reunião ficou agendada para o dia 10 de abril, na sede de CEPED, em Curitiba, onde o grupo vai conhecer em detalhes quais os mecanismos que devem ser utilizados e como se preparar para enfrentar as adversidades. A primeira tarefa do comitê será fazer uma autoavaliação da capacidade de resiliência do município em relação às catástrofes por meio do preenchimento do formulário (LG-Sat), no qual pelos menos 100 perguntas devem ser respondidas.

 

Pinheiro afirmou que vai comunicar o promotor da Campanha Cidades Resilientes, Sidnei Furtado, que Campo Largo instituiu o seu comitê e que os trabalhos já iniciaram. “Com isso, na próxima publicação do Observatório das Cidades Resilientes, o avanço de Campo Largo já estará em destaque”.  E tão logo o relatório da autoavaliação de Campo Largo seja concluído, o CEPED informará a ONU, para formalizar a nova condição de resiliência da cidade.

 

O diretor do CEPED/PR também comentou a importância, as vantagens e os benefícios de se tornar uma cidade resiliente. “Nós falamos de cidades sustentáveis e/ou inteligentes, e de outras que se destacam na área da mobilidade ou dos resíduos, enfim, há uma série de fatores que contribui para que as cidades tenham instrumentos suficientes para se desenvolver. Todos decorrem de políticas públicas já instituídas no país, e que refletem nos municípios”. E levantou uma questão: “E como fazer isso acontecer de forma efetiva no município atingido por um desastre, depende justamente desse conjunto de pensamentos”.

 

Durante o encontro foi mencionado o desastre de 2014, quando o município foi atingido por uma violenta tempestade de granizo que causou muitos prejuízos à população de toda a região. “Sabe-se que a nossa região pode sofrer outros desastres como aquele e a grande questão é se estamos preparados. O que estamos fazendo para, se outra tempestade de granizo como aquela nos atingir, os danos não sejam tão elevados?”, questionou o prefeito. Ele citou como exemplo de resiliência, o fato de que na maioria das residências, prédios públicos e empresas atingidas naquela tempestade, usou telhas mais resistentes, inclusive telhas metálicas do tipo sanduíche (com recheio e isopor) e telhas ecológicas, produzidas a partir da reciclagem de embalagens longa-vida, capazes de suportar tempestades de granizo ainda mais fortes do que a sofrida há quase quatro anos.

 

COMITÊ MUNICIPAL - O Comitê da Cidade Resiliente (CCR), instituído por decreto, na semana passada, estará  vinculado diretamente ao gabinete do prefeito. É a instância colegiada de deliberação e coordenação da Campanha Mundial Construindo Cidades Resilientes da Organização das Nações Unidas (ONU), no município de Campo Largo. No decreto, o prefeito destacou a responsabilidade do CCR de promover a intersetorialidade, propiciando ações integradas para implementação do Marco de Sendai e para a elaboração do Plano Local de Resiliência/Plano Municipal de Proteção e Defesa Civil.

 

A coordenação do Comitê da Cidade Resiliente (CCR) ficou a cargo da Secretaria Municipal de Ordem Pública por intermédio da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil, e será composto por um representante titular e um suplente dos seguintes órgãos municipais: Secretaria Municipal de Ordem Pública; Secretaria Municipal de Administração, Tecnologia e Informação; Secretaria Municipal de Educação e Esportes; Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente; Secretaria Municipal de Governo; Secretaria Municipal de Finanças e Orçamento; Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social; Secretaria Municipal de Saúde; Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Assuntos Metropolitanos, e Secretaria Municipal de Viação e Obras.

 

O prefeito pediu, ainda, aos membros do CCR, estudos para aumentar o grau de consciência e compromisso da população, em torno das práticas estabelecidas na plataforma global para a Redução do Risco de Desastres – Sendai.

 

Até como forma de motivação, Pinheiro afirmou que o êxito do processo vai depender de todos os envolvidos diretamente no trabalho. “Vocês podem fazer isso por Campo Largo, por vocês mesmos e também pela administração municipal que busca os resultados necessários para que se possa transformar a história de um município que tem sofrido muito com a ocorrência de desastres, apoiado num aspecto fundamental, que é esse elemento de ligação entre as pessoas, ou seja, a união em torno da resiliência”.

 

Segundo Pinheiro, resiliência é nome que se tem dado a uma desculpa “boa” para que os integrantes do comitê possam estar em contato para fazer diferente o que já vem sendo feito, mas de forma integrada no que se refere à necessidade da gestão de riscos de desastres. “Só há desastres, onde há riscos”.

 

A falta ou o excesso de chuva é apontado como a principal ameaça natural, e se o município não tiver uma estrutura adequada para receber a chuva intensa ou para enfrentar um período de seca, ou ainda, se essa estrutura for vulnerável, as consequências do desastre serão difíceis de ser contidas ou evitadas.  “Então, a ideia é ter menos desastres, mas se eles acontecerem, os efeitos devem ser menores e suportados com mais facilidade, por isso a importância do município se preocupar em construir uma estrutura adequada. Essa questão do envolvimento das pessoas que precisam trabalhar em conjunto, é muito importante”, avalia o major Pinheiro. “É no município que tem que estar a solução para diminuir essa quantidade de eventos, para mudar essa realidade”. 

 

PARANÁ RESILIENTE - Nos dias atuais, o mundo tem falado muito em resiliência; é o tema mais comentado dentro da área de redução de desastres. O Brasil é o líder mundial em número de municípios que aderiram à campanha. Dos 5.565 municípios brasileiros, 1007 já fizeram a adesão. “Então, quase um quinto do país teve a iniciativa de se tornar resiliente”, constata o diretor do CEPED/PR. Ao mesmo tempo em que o Brasil detém a liderança mundial, o Paraná também é líder. “Em termos proporcionais, 80% dos municípios paranaenses resolveram se tornar resilientes”, disse Pinheiro. Campo Largo, inclusive, é um dos 320 municípios que fizeram a adesão à campanha.

 

Só que muitas vezes, relatou o major, o município divulga que se tornou resiliente quando apenas assumiu o compromisso com a campanha. “Só assinar uma folha de papel não basta. Há muito trabalho a fazer entre uma fase e outra”. E o Governo do Estado e a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil têm a responsabilidade de coordenar esse processo no Paraná. “Como bombeiro, testemunhei muitas vezes, situações parecidas se repetirem, e produzindo os mesmos resultados. As pessoas atingidas se perguntavam até quando teriam de lidar com os prejuízos. E nós nos perguntávamos até quando trabalharíamos somente com a resposta”.

 

Preparar os órgãos para atender a população e o município no momento do desastre é muito importante, e sempre será. Ao fazer essa afirmação, o diretor do CEPED levantou outro questionamento. “Será que temos condições de fazer alguma coisa antes da ocorrência atingir o município para evitar as consequências com as quais não nos conformamos mais? Podemos nos rebelar contra os riscos de desastres, e de repente tentar evitar que eles continuem existindo? Podemos fazer isso. Essa campanha da ONU nos mostra que há possibilidades disso acontecer”. Ele afirmou também que ela apresenta um resumo das principais ações que, de forma integrada, podem ser realizadas.

 

O protagonismo do Paraná e do Brasil, “traz ao CEPED, um órgão criado em 2013, a possibilidade de fazer o que sempre sonhei que é estarmos em conjunto com os municípios tentando transformar a realidade para melhor. É o que nos trás aqui, essa convicção e esse sonho de vermos as coisas melhorarem”.

 

E por que Campo Largo? Segundo o major Pinheiro, uma série de fatores trouxe a campanha até o município. “Podemos ter Campo Largo como modelo de resiliência para o Brasil. E isso é perfeitamente possível porque temos a oportunidade de experimentarmos isso em conjunto e, ao longo do tempo, poderemos dar o nosso testemunho de como foi essa experiência, a ponto de incentivarmos outros estados, outros municípios a conhecer a cidade para que possam aprender como ocorre essa experiência de transformação para município resiliente.

 

PRESENÇAS - Além do prefeito Marcelo Puppi e do major Eduardo Pinheiro, diretor do CEPED/PR, participaram da reunião do comitê, o assessor do vice-prefeito Maurício Rivabem, Leonir Batista Ferraz; o diretor do Departamento de Trânsito, André Pelizzari; o secretário de Comunicação, Luís Augusto Cabra; o chefe de Divisão de Relações Comunitárias, Edenilson Marques Gonçalves; o secretário adjunto do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Juares Carvalho; o gerente da Agência do Trabalhador, Carlos Bowkalowski; a secretária adjunta de Atendimento ao Cidadão, Adriana Rivero Santar; o diretor do Departamento Rural, Celso Vedan; o diretor da Secretaria do Desenvolvimento Social, Antonio Amorim Costa; a fiscal contábil, Aline Bittencourt; a também fiscal contábil, Eliane Miyazawa; a bióloga da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Walquíria Menna Brusamolin, e o coordenador da Defesa Civil do município, Wilson Battochio.


Por Sara Carvalho, Assessoria de Comunicação CEPED/PR

 

Fonte: http://www.campolargo.pr.gov.br/site/noticias/id/5302

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