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11/05/2018

CEPED/PR e prefeitura de Campo Largo apresentam na Câmara Municipal a campanha Construindo Cidades Resilientes, da ONU.

O evento foi realizado na última quarta-feira (09), no plenário da Câmara de Vereadores da cidade e teve a presença de representantes dos poderes público, privado e da população.  Foi organizado pela prefeitura municipal, por meio do Comitê de Resiliência, grupo formado por representantes de várias secretarias municipais e instituições públicas do município. O objetivo era discutir e conhecer as ferramentas que Campo Largo vai utilizar para se tornar o município exemplo de Cidade Resiliente no Brasil. A escolha de Campo Largo  foi feita por meio do Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres (UNISDR), da Organização das Nações Unidas (ONU)

 

O major Eduardo Pinheiro, diretor do Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (CEPED/PR), falou da satisfação em participar do processo de busca da cidade “pela necessária resiliência diante dos desastres”. Numa apresentação com dados, informações e fotos de eventos desastrosos já ocorridos no município, ele reforçou que a responsabilidade da execução de todas as etapas da campanha, é de todos, e não só da administração municipal e do comitê. “A sociedade quer e precisa viver num lugar seguro e que ofereça condições cada vez melhores, por isso a necessidade do seu envolvimento”.

 

O prefeito Marcelo Puppi destacou que tornar Campo Largo uma cidade resiliente, “não é uma invenção da prefeitura, mas sim, do Governo do Estado do Paraná, com a chancela da ONU”. Ele explicou aos presentes o conceito de Cidade Resiliente. “Trata-se de uma cidade que tem a capacidade de recuperação após eventos desastrosos, e que se prepara para enfrentá-los”.  Acrescentou que a Defesa Civil “trabalha para salvar as pessoas em situação de risco, e a Cidade Resiliente define o papel de cada um, de maneira profissional, para saber para onde vamos, como vamos, e o que vamos fazer”.

 

Puppi falou ainda, das dificuldades para a solução de problemas que causam muitos prejuízos ao município, destacando o desassoreamento dos rios, quando os órgãos ambientais não permitem. Lembrou a situação dramática, a cada chuva, dos moradores do Dona Fina, Bateias, Itaqui, Santa Ângela e de outros bairros que têm áreas sujeitas a alagamentos. Disse que esse círculo vicioso precisa ser interrompido, e esse é um trabalho para uma Cidade Resiliente.

 

NÚMEROS DOS DESASTRES - Até para justificar o interesse de tornar Campo Largo um município resiliente, o major Pinheiro apresentou alguns dados do Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil do Paraná.  Entre 1980 e 2018, foram 71 registros de desastres, e mais de 220 mil pessoas – mais do que a própria população do município (muitos são atingidos de forma recorrente) sofreram as conseqüências de algum tipo de desastre, seis moradores morreram e o município teve um prejuízo de 113 milhões de reais.

 

Diante das imagens de alagamentos, vendavais e inundações que já atingiram o município, o major Pinheiro falou que é preciso fazer diferente agora para se evitar um futuro de arrependimento por não ter sido feito nada no passado. “E há conhecimento, organização e competência para que isso seja feito, e precisamos trabalhar nessa direção”.

 

CAMPANHA DA RESILIÊNCIA - A campanha ‘Construindo Cidades Resilientes’ foi lançada em 2010, e desde então, o tema vem sendo discutido pelo mundo. O Brasil é líder em número de municípios que aderiram à campanha. Dos 5.565 municípios brasileiros, 1007 já fizeram a adesão. “Então, quase um quinto do país teve a iniciativa de se tornar resiliente”, constata o diretor do CEPED/PR. Ao mesmo tempo em que o Brasil detém a liderança mundial, o Paraná também é líder. “Em termos proporcionais, 80% dos municípios paranaenses resolveram se tornar resilientes”, disse Pinheiro. Campo Largo, inclusive, é um dos 320 municípios que fizeram a adesão à campanha. “Aliás, é o único que tem o compromisso de se tornar exemplo para que as pessoas possam vir aqui para conhecer como se faz resiliência na prática”.

 

Instituir o comitê e executar outras ações que o processo de resiliência exige, não significa que não haverá mais desastres como os que aconteceram no município em 2014, por exemplo. “A questão é que, se nos prepararmos antes, teremos mais chances de diminuir os prejuízos e principalmente, o número de vítimas”, esclarece o major. Ele disse também que além das 16 áreas de risco já identificadas no município, talvez existam outras mais onde há tendência de ocorrer desastres caso haja uma combinação de fatores, inclusive, aqueles ligados aos eventos naturais que, aliás, “não são os culpados pelo desastre, mas sim, os deflagradores  de um processo”. E explica que a chuva forte ou o vendaval não é um desastre. “Só serão se tivermos os telhados que não foram construídos adequadamente, ou se a área do leito secundário do rio continuar ocupada no momento do evento.

 

Sobre esse aspecto, o prefeito disse que não é mais possível permitir que as pessoas construam suas casas às margens dos rios. “É preciso também fazer uma campanha de conscientização para que o lixo não seja mais jogado nos rios”. Puppi fez um questionamento à população sobre a resiliência: “Queremos ou não uma cidade resiliente? Como vamos às fábricas falar com os trabalhadores, a uma escola falar com os estudantes e seus pais? E mais. Temos, antes de tudo, que acabar com a burocracia, que é prima-irmã da vadiagem e da corrupção”. E finalizou o seu pronunciamento dizendo que “a cidade tem que se organizar, ou não chegaremos a lugar nenhum. É preciso sair da zona de conforto e dizer que dá, dá para fazer”.

 

O diretor do CEPED destacou que o prefeito Marcelo Puppi já é um exemplo de resiliência para outros gestores públicos pela mobilização que está provocando na cidade. Ter indústrias, comércio, empresas públicas e privadas mais preparadas para o enfrentamento de situações de desastres, significa também, ter um município com um diferencial que certamente vai atrair empresas que já têm essa consciência da importância da resiliência, e que gerem empregos, tragam recursos e prosperidade ao município. Menos desastres e menos prejuízos também”.


Por Sara Carvalho, Assessora de Comunicação CEPED/PR

Fonte: http://www.campolargo.pr.gov.br/site/noticias/id/5472

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