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19/06/2018

CEPED/PR faz palestra em evento sobre Educação Ambiental, em Pinhais.

O Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (CEPED/PR) participou do IV Seminário Metropolitano de Educação Ambiental, promovido pelas secretarias municipais de Meio Ambiente e de Educação, de Pinhais, município da região metropolitana de Curitiba. O evento, realizado em parceria com a Universidade Tecnológica do Paraná e Ministério Público do Paraná, programou apresentações culturais e de trabalhos científicos, palestras e minicursos. Participaram professores das redes municipal e estadual de ensino, e alunos do Ensino Médio e de cursos técnicos relacionados à área.

 

O diretor do CEPED/PR, major Eduardo Pinheiro, foi convidado para o minicurso ‘O papel das escolas no processo integrado de gestão do risco de desastres’, que teve como objetivos conceituar riscos, apresentar aspectos ligados às características dos riscos de desastres, bem como contextualizar as contribuições que a educação pode adaptar para o envolvimento e mobilização buscando a meta de escolas seguras e cultura de resiliência diante desses eventos. “O referido tema se trata de assunto de extrema importância para a área ambiental e foi abordado de forma estruturada, com clareza, precisão, conduzido brilhantemente pelo major Pinheiro”, afirmou a engenheira ambiental Caroline Carneiro, da organização do seminário.  

 

A RELAÇÃO COM A NATUREZA - Na palestra, Pinheiro explicou que a Defesa  Civil do Paraná não é um órgão, mas sim, um sistema que atua junto à comunidade, com o objetivo de reduzir os desastres. A questão é que “desaprendemos a nos relacionar com a natureza”. Para ilustrar essa afirmação, ele relembrou um fato, no mínimo, curioso, ocorrido em março de 2011 no litoral do Paraná. “A Defesa Civil foi alertada dias antes de a região ser atingida por chuvas torrenciais, que as formigas estavam se movimentando muito, ao mesmo tempo, e todas juntas. Moradores se preocuparam com o comportamento desses insetos, e acionaram a Defesa Civil. “Quando o desastre ocorreu, tivemos a certeza de que as formigas sentiram os riscos, e fugiram do perigo”.  Então, o ser humano, nesse processo de colocar a natureza como se fosse “uma prestadora de serviço ao egoísmo do homem, acabou se distanciando e agindo como se não fizesse mais parte dela, a ponto de ignorar, por exemplo, que o leito secundário de um rio - aquela parte que enche quando chove forte, e colocar nele as suas casas e unidades de saúde, e posteriormente, fica indignado quando a água do rio alcança as moradias, e culpa o rio, que aliás, já existia antes de as casas serem construídas à sua margem”. 

 

A CULPA É DO RIO?- O major Pinheiro chamou a atenção para as manchetes jornalísticas mais comuns depois que ocorre um evento climático. ‘Chuvas torrenciais matam pessoas e causam destruição’. E levantou uma questão: “Esse tipo de chamada isenta a população. Mas no caso da inundação, por exemplo, a culpa é do rio? É mais fácil atribuirmos o que é de nossa responsabilidade aos eventos naturais. A inundação é culpa da chuva, do rio; o granizo, é do mau tempo, não é do telhado frágil que foi feito com a telha errada, então, o ser humano, além de ter perdido essa conexão, insiste em encontrar desculpas para justificar a sua falta de proximidade e compreensão dos fenômenos naturais, dessa relação antrópica com o ambiente natural pré-existente”.

 

Sobre o Estado, o diretor do CEPED/PR falou que ele tem responsabilidades nesse processo, mas em relação aos desastres, “o estado sempre se preocupou com a resposta, e nos últimos anos ocorreu um período de transição, isto é, tirou-se o foco da resposta e voltou-se para o risco, o que é o adequado, já que o risco é o antes, e para trabalharmos com o antes, precisamos pensar com maior amplitude e envolver as áreas que precisam estar participando disso. A educação, por exemplo, é uma delas”. Segundo o major, quando um professor coloca de alguma forma um tema que remeta o raciocínio dos seus alunos para essa relação entre o ser humano e a natureza, e as consequências quando ela não acontece de forma ponderada, “nós temos justamente a consequência de pessoas se formando alheias a uma realidade que hoje é presente para muitas pessoas. Basta conferir os prejuízos apresentados nos relatórios dos municípios que superam os bilhões de reais todos os anos”. E questiona: “O que está sendo feito para mudar isso? Alguma coisa tem sido implantada, mas elas não são propagadas adequadamente. Cabe a nós detectar essas boas práticas e as compartilharmos para influenciar a todos os envolvidos no processo”, afirmou.

 

Por Sara Carvalho, Assessoria de Comunicação CEPED/PR

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